Dorival Caymmi (Salvador, 30 de abril de 1914 – Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2008) foi um cantor, compositor, violonista, pintor e ator brasileiro.


Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina Cândida Caymmi, conhecida por Dona Sinhá. O pai era funcionário público e tocava violão, bandolim e piano. Sua mãe cantava muito bem. Teve três irmãos: Deraldo, Diná e Dinair. Aos seis anos de idade, começou a freqüentar a Escola de Belas Artes, no Colégio de Dona Adalgisa. Estudou depois no Colégio Batista e, em 1926, concluiu o curso primário no Colégio Olímpio Cruz. No ano seguinte, matriculou-se no curso ginasial no referido colégio, mas o abandonou no mesmo ano para trabalhar. Empregou-se no escritório do jornal "O Imparcial", da capital baiana, onde fazia diferentes serviços. Na mesma época, começou a fazer as primeiras pinturas, desenhando tabuletas para lojas comerciais. Em 1929, o jornal fechou e teve que se dedicar a outros serviços. Foi vendedor de cordões para embrulho e de bebidas nacionais. Perdeu o emprego quando, junto com alguns amigos, resolveu experimentar as amostras de bebidas. Nessa época, 1933, começou a compor marchinhas e toadas, como "No sertão", sua primeira composição. No ano seguinte, começou a tomar aulas de violão com seu pai e com seu tio Cici.
Em 1935, passou num concurso para escrivão da coletora estadual, cargo para o qual nunca foi nomeado. No mesmo ano, começou a cantar por acaso, quando foi visitar a Rádio Clube da Bahia, na companhia do amigo Zezinho. Perguntados por um funcionário da Rádio sobre o que faziam, Zezinho respondeu que cantavam. O funcionário tanto insistiu que Caymmi acabou cantando para surpresa de Zezinho que ficou encantado com sua voz ao microfone. Ainda em 1935, prestou serviço militar no Tiro de Guerra nº 284.
Em 1937, mudou-se para o Rio de Janeiro, viajando num Ita, um pequeno navio de passageiros, com a intenção de estudar jornalismo e trabalhar com desenho. Conseguiu, através de um parente, publicar alguns desenhos na revista "O Cruzeiro". Recebeu conselhos para seguir a carreira de cantor. Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, Teófilo de Barros Filho, que se agradou de sua voz e o contratou por 30 mil réis. Em 1939, conheceu num programa de calouros na Rádio Nacional a sua futura esposa, a cantora Stella Maris, quando ela cantava "Último desejo", de Noel Rosa.
Em 1940, casou-se com Adelaide Tostes, nome verdadeiro da cantora Stella Maris. O casal teve três filhos: Dinair (Nana, 1941), Dorival (Dori, 1943) e Danilo Cândido (1948), que se tornariam também grandes nomes da música popular brasileira. Em 1943, perdeu sua mãe. Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso de desenho na Escola de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 1953, inaugurou a Praça Dorival Caymmi em Itapoã. Dois anos mais tarde, mudou-se com a família para São Paulo, lá vivendo por cerca de um ano. Caymmi tem seis netos, Stella Teresa, Denise Maria e João Gilberto (filhos de Nana), João Vítor (filho de Dori) e Juliana e Gabriel (filhos de Danilo).
Em 1968, ganhou do Governo da Bahia uma casa na Praia de Ondina, em reconhecimento a sua importância para a cultura brasileira. Em 1972, foi agraciado no Palácio do Itamaraty (Brasília) com a comenda da Ordem do Rio Branco, em Grau de Oficial. Foi também agraciado com a comenda da Ordem do Mérito da Bahia.
Em 1984, recebeu, em comemoração ao 70º aniversário, inúmeras homenagens, tais como: a edição de um CD duplo e de um álbum de desenhos patrocinado pela Funarte (Rio de Janeiro); a outorga da comenda da "Ordre des arts et des lettres de France"; a outorga da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho (Brasília) e a outorga do título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia (Salvador). Em 1985, inaugurou a Avenida Dorival Caymmi na capital baiana. Em 2001, esbanjando jovialidade em seus quase 90 anos, voltou às paradas de sucesso compondo para a televisão. Lutando contra um câncer renal desde 1999, faleceu de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos em sua casa no bairro carioca de Copacabana onde estava em internação domiciliar desde dezembro de 2007. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro com a presença de parentes e amigos, entre os quais inúmeros músicos.

 

 

A arte do chefe do clã Caymmi é um caso exemplar de confluência entre o simples e o sofisticado a partir de elementos naturais como o vento, o mar, a morena e a terra. Uma confluência traduzida em sambas, sambas-canções, canções praieiras e toadas tão autorais (ele foi um dos primeiros compositores a gravar suas próprias canções, numa época em que o habitual era o autor entregar a música para um cantor), que o transformaram no melhor intérprete de si mesmo. Mas o conterrâneo Gilberto Gil talvez tenha sido quem melhor definiu a personalidade e a importância na música brasileira ao chamá-lo de “Buda nagô” na canção homônima. Hagamenon Brito

 

 

 primeiro trabalho de Caymmi a estourar foi O Que É Que a Baiana Tem, incluída no filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda.

 

Discografia de Dorival Caymmi:
Carmem Miranda & Dorival Caymmi, abril de 1939
Carmem Miranda & Dorival Caymmi, setembro de 1939
Dorival Caymmi, três discos em dezembro de 1943
Dorival Caymmi, 1945
Dorival Caymmi, 1946
Dorival Caymmi, 1947
Dorival Caymmi, 1948
Dorival Caymmi, 1949
Dorival Caymmi, 1952
Dorival Caymmi, 1953
Dorival Caymmi, 1954
Dorival Caymmi e Seu Violão, 1954
Sambas de Caymmi, 1955
Dorival Caymmi, janeiro de 1956
Dorival Caymmi, março de 1956
Dorival Caymmi, agosto de 1956
Canções Praieras, 1956
Dorival Caymmi, maio de 1957
Dorival Caymmi, junho de 1957
Caymmi : Canções do Mar, 1957
Caymmi e o Mar, 1957
Eu Vou Pra Maracangalha, 1957
Dorival Caymmi, dezembro de 1957
Ary Caymmi Dorival Barroso, 1958
Eu Não Tenho Onde Morar - Compacto Duplo, 1959
Dorival Caymmi, fevereiro de 1960
Dorival Caymmi e Nana Caymmi, maio de 1960
Caymmi e seu Violão, 1960
Eu não tenho onde Morar, 1960
Caymmi - Compacto Simples, 1964
Caymmi visita Tom, 1964
Caymmi (KAI-EE-ME) and The Girls From Bahia, 1965
Vinicius/Caymmi no Zum Zum, 1967
Dorival Caymmi, 1969
Encontro com Dorival Caymmi, 1969
Dorival é Nacional, 1970
Caymmi, 1972
Caymmi também é de Rancho, 1973
O Mar (The Sea) Songs by Dorival Caymmi, 1974
Caymmi - Setenta Anos, 1984
Caymmi - Inedito, 1984
Caymmi's Grandes Amigos, 1985
Dorival Caymmi, 1986
Dori, Nana, Danilo e Dorival Caymmi, 1987
Família Caymmi em Montreux, 1991
Caymmi em Família, 1994
Caymmi in Bahia, 1994

Participações
Recordando Carlinhos Guinle, 1962
Sitio do Pica Pau Amarelo, 1977
Nana Caymmi, 1995
Marítimo - Adriana Calcanhoto, 1999

Coletâneas
Milagre, 1980
Saudades da Bahia, 1980
Grandes Compositores, 1990
Minha História, 1992
Meus Momentos, 1993
Mestres da MPB, 1994
Série Aplauso, Dorival Caymmi e Nana Caymmi, 1995
Personalidade, 1995
Performance, 1996
História de Pescadores 1996
Millennium, 1998
Série Raízes do Samba, 1999
Série Sem Limite, 2001
Caymmi - Amor e Mar, 2001

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira - Terra Música
 

 

       

 

É doce morrer no mar/Joice Guimarães
Marina/Ógui Lourenço Mauri
Nem eu.../Ógui Lourenço Mauri
O mar/Joice Guimarães
Você já foi a Bahia?/Ógui Lourenço Mauri