Insônia...
Luli Coutinho

Tens a cor do ardor!
Rubro tom, esplendor;
Verbo amor! Teus poros... sinto os aromas;
Exalando a mim, odor de ostras.

Que delirante insônia me persegue!
Roupas jogadas, abandonadas no chão;
Sós...nutridas pelas esperanças entregues
Cama fria na ânsia desta paixão.

O corpo suado, sustido pelos sonhos;
Maligna noite, tão extensa!
Deixa olhos de carícia abatidos
A espera da manhã, a carne tensa.

Sombras silenciosas, a respiração, teu cheiro!
Sinto-os quase presentes
E nesta aparência, há um pesar e a certeza:
Do amargor ao perceber na manhã, que estás ausente.





Insone Acordar
Francisco Coimbra


(Vida e Morte do Amor... terreno)



Tens a cor do ardor!
Nem sempre ao acordar não se tem sono
e felizmente nem sempre se perde o poder
de seguir um sonho surgido durante a noite
iluminado por desejos despertos muito perto
de serem à vontade desejo, razão e substância
do ardor sentido com amor, apego substantivo


Que delirante insônia me persegue!
Por isto acaricio na pele a distância do teu corpo
e digo meia dúzia de verdades a mim mesmo
sobre a carência que sinto à transparência
na falta de te ter por perto abrindo indo
onde o dentro entro e fico fluindo nu
prazer da carne onde te alimento


O corpo suado, sustido pelos sonhos;
nas palavras volto como quem as segue
num movimento de marés beijando costas
onde o corpo se torna feminina presença
para uma dança como passos nus e soltos
num minuete em passo doble imaginário
onde o canto se decanta em cantado verso!


Sombras silenciosas, a respiração, teu cheiro!
há uma alegria inocente neste abandono onde sou
a palavra a trautear a língua como linha trabalhada
no tear onde as mãos escrevem seu destino letras
destas palavras onde te abraço como se manda e dá
essa despedida que guardamos no peito e indo vai
a bater o coração que fica com o canto duma poesia!


01/09/05


Mid: Ernesto Cortazar - Serenade

 

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