Desenhos abstratos
marcam o corpo, esculpindo
detalhes de noites de amor
perdida nas saudades,
hoje cicatrizes curadas.

Flores pintadas
com a aquarela da paixão
hoje descoloridas, manchadas
pelo passar dos anos
esquecida no coração.

Rastros de nós dois
daquela velha chama
do amor em combustão,
hoje só recordação.

Quando na profusão do tesão
embriagados e entorpecidos
esquecíamos do mundo
vivendo só de emoção.

Nos lençóis o cheiro agridoce
dos suores de nossos corpos
hoje recebem a lavanda
e a alvura da mulher triste,
que esconde os desejos
insanos dos prazeres da carne.

Lágrimas escondidas nos
travesseiros, confidente
mudo das fantasias vividas, no ontem,
hoje se apresentam como fantasmas
na caverna escura onde
o corpo ardente se refugiou.

Como um filme em preto e branco
as cenas se repetem
com os mesmos protagonistas,
as mesmas coreografias,
as mesmas músicas.

A única diferença nítida
é que ontem era um casal apaixonado,
hoje, um corpo sem rosto
frio, sem calor, inerte
que não vibra mais...

Apenas assiste ausente, compadecido
o envelhecer do corpo tão amado
corroído pela imensa solidão
encarcerado pelas marcas cruéis
do destino que lhe roubou todos
os sentidos de viver.
*****

 

 

autoria: Arneyde T. Marcheschi
Vitória (ES) Brasil 14/10/2006
www.vidatransparente.com.br
música:Sera~Gigliola Cinquetti
formatação: kaito
outubro/2006
 

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