Venerável tronco

 

( Eugénio de Sá )

 

 

 

Aquele velho carvalho ainda lá está

Calada testemunha de um amor

Que os tenros anos faziam melhor

E a vida postergou esse maná.

 

Gravei então com a ponta da faquita

Na enrugada casca do carvalho

Sob a sombra frondosa de um só galho

A promessa mais pura, mais bonita;

 

Que morre Eládio, se Teresa morrer!

- E tal convénio, que ela não pedira

Valesse perante os céus, como eu previra

Pois que sem ela não queria viver.

 

Anos passaram, a vida mudou

E fomos separados por outro querer.

Chegado agora ao meu entardecer

Recordo o pouco que de nós sobrou.

 

 Resolvi voltar à árvore ancestral

 E junto à profecia que eu talhara

Fora esculpido de uma forma rara

Um coração partido e original.

 

Porque a vista já me vai faltando

Acerquei-me do tronco venerável

E vi, perplexo, que ao nome adorável

Se acrescentara: "te estarei esperando!"

 

Uma lágrima rebelde me aflorou

À vista da verdade ali contida

Quando por mim roçou folha caída

Que, tristemente, a meus pés pousou.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Créditos:

Artes  Finais by Rita Rocha

Imagens: Internet

Wav:  Foi Deus - Instrumental

 

 

 

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