Envelhecendo

 Delasnieve Daspet

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Que botox, que cirurgia, que nada!

Cheguei aos 62 anos completamente com 62 anos... Ninguém me dá um dia a menos ou a mais.

E que bom chegar aos 62 anos com a cabeça e o corpo de 62 anos.

Eu não malho. Não  tenho saco para isso. Não ando, sou preguiçosa... Mas adoro dançar – já quis fazer várias vezes um curso de dança... mas, dançar sozinha, ou com aqueles meninos... não me dá nenhum tesão, então, fico aqui  - eu e os  meus livros, minhas canetas, computador, agenda,  e, meu cérebro. Gosto de exercitá-lo e faço isso  em todos os momentos.  Crio, recrio, fantasio, valseio, falseio, pazeio... Não bebo, não fumo, até comer – não abuso. Não me preocupo, nunca me preocupei com qualquer glamour... Mas adoro pensar que tenho um pote de ouro no final do arco-íris: os meus sonhos, os meus ideais, as minhas conquistas.

Nestes tempos, ridículos, do politicamente correto, me pego com saudades do passado quando podíamos brincar sem acusações de intolerâncias, de racismo, e de tantos outros “ismos” e modismos.

Eu, por exemplo, acho que todas as diferenças podem conviver em perfeita harmonia, e, que o direito de um começa onde termina o do outro.

Qualquer um tem de conquistar o seu espaço respeitando o dos outros, isto é, não se pode obrigar ninguém a aceitar nada... pode-se esclarecer as coisas, a aceitação ou não vai de cada um.

Assim é, e, assim deveria ser,  sempre.

Filhos, tenho dois. Um me paparica todos os dias, o outro, ocasionalmente. Mas não posso mudar os fatos –  cada um é como é.

Os amigos, conto-os e os reconto, e, alguns  podem ser chamados como tais  – mas com tantos conhecidos – como são poucos, os amigos!

Mesmo assim, eu continuo a chamá-los para que não se olvidem de que estamos juntos na caminhada.

Gosto de movimento... Do vento que balança as folhas e faz tilintar os sinos da varanda.

Gosto de gatos – quando eles  ouvem a minha voz  - me rodeiam com seus miados doces e interesseiros... eu, também, sou interesseira, adoro receber seus carinhos e acarinhá-los.

E, o melhor de tudo, é que sou soberana nas minhas atitudes e dos meus atos, ainda mais quando nunca me preocupei com o que podiam dizer ou pensar de mim. Já dei  sonoras bananas  sem me importar a quem... Tenho orgulho de dizer que piorei, sempre  falei palavrões... com a idade, como bom vinho, melhorei e aperfeiçoei...   o vocabulário em guarani, espanhol, francês...

Não sou, totalmente, tola... percebo com clareza quando me usam... as vezes me deixo trampolim por meu interesse. E, quando oportuno, deixo claro, para que não  paire dúvidas, sobre o meu realizar.

Porém, nunca, nunca, nunca, deixo porem o “pé na minha onça” e tirar foto.... Se fui eu quem a abateu, digo em alto e bom som... Não divido meu chapéu.

Que o tempo continue passando... Que eu possa contar ao espelho a história de cada ruga, dos cabelos brancos, das mãos envelhecidas, da gordura que acumulei, do olhar faceiro; Que eu tenha a ventura de contar os dias  vividos em tão boa companhia e parceria, eu tive a sorte de achar  o parceiro perfeito – que sempre respeitou meus espaços.

Que eu me complete neste ir e vir, como ondas do mar, que vai e vem e sempre morre na praia, como lágrimas de espuma que a areia branca se encarrega de guardar.

Que seja assim, no último alento, quando misturada ao vermelho de minha terra, possa voar, voar ,  voar... e, integrar-me ao verde de nossos cerrados, à pureza de nossos rios, ao cantar dos pássaros, e, quem sabe, camuflada  como um urutau, cantar  em noites de lua cheia, as saudades que deixei na terra.

DD_Delasnieve Daspet, 10 de abril  de 2013

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Delasnieve Daspet - é Poeta, Advogada e Ativista das Causas quase Perdidas ( Paz, Meio Ambiente, Social, Dirietos Humanos ) , é  Presidente da Associação Internacional Poetas del Mundo; Universal Peace Ambassador - Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix - Suécia/França ; Presidente para o Brasil da Indian Intellectual Peace Academy; Membro da Executiva do FESC/MS; Conselheira Estadual de Cultura/MS; .

daspet@uol.com.br

 

 Com cheiro de terra molhada ...
 
Delasnieve Daspet
 
Olho a chuva cair na tarde,
Molhando minhas saudades...
Penso em versos...
Vou  construir um poema úmido
Com cheiro de terra molhada.
 
Leve e perfumado
Como o vento que se enrosca
Nas folhas mortas das árvores
E sibilando as carrega,
Mudando tudo de lugar...
 
Muduram  com o vento
Os meu sonhos e as minhas emoções!
Rolaram as ribanceiras
Com tanta velocidade
Que me arranhei  toda
Com as idas e vindas da vida!
 
E nas sombras das nuvens
Meu coração se esconde!
Entre um olhar e outro,
Na esfera da fumaça,
A chuva cai.
 
E na terra que o asfalto comeu
A água se coagula em lama,
Como lágrimas borradas
Na maquiagem!
 
Eu preciso
Fazer a água escoar pelos
Canais do tempo
Diluindo minhas verdadess e mentiras
Apagando minhas inseguranças,
Limpando minhas impurezas,
Fazendo brotar a vida
Na verde folha da paz!
 
DD_17,30hs 31-08-2001
Campo Grande MS
 
 
 
 
 
 
 
Créditos:
 
Tutorial: ILE/RJ
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tubes: Denise Worisch e Nikita
 
Arte e Formatação: Vanda Gigo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um abraço carinhoso:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

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